segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Canção de Natal



       Vêm de longe, tão longe
       Incendiados de Ser
       O Pão, a Paz e o Riso
       E tudo o que se quiser.

       Pisam as pedras e os rios
       Descobrem as novas margens
       Em breves grãos de silêncio
       São o roteiro, as viagens.


       Sem deuses, nem mitos
       Sem datas, nem metas
       Sem festas, nem frestas
       Sem arcos, nem setas

                Ardem

       No fogo, no frio, no vento
       Nas rugas do Tempo
       Aguardam sozinhos a secreta manhã.

       Sentam-se às portas da noite
       Na direcção das nascentes
       Acendem o fruto e as sementes.

       Mas o Natal é o mistério
       A ternura consentida
       E abre-se a Terra inteira
       À Criança Renascida.


       Sem deuses, nem mitos
       Sem datas, nem metas
       Sem festas, nem frestas
       Sem arcos, nem setas

                  Nasce!

       No fogo, no frio, no vento
       Nas rugas do Tempo
       Aguarda sozinha a secreta manhã.

       Sem deuses, nem mitos
       Sem datas, nem metas
       Sem festas, nem frestas
       Sem arcos, nem setas

                 Nasce!

       No fogo, no frio, no vento
           Nas rugas do tempo
     Ignorada                    Pisada

            A criança permanece!




      Maria Rosa Colaço